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A Epopéia Anarquista
10/12/2005 15:31

Foi a primeira vez na História que uma Revolução Social foi feita por anarquistas. Depois das experiências revolucionárias de Aragón, na Catalunha, e em outras regiões da Espanha, ninguém poderá dizer que o Anarquismo é inofensivo ou inócuo. A autogestão plena, a experiência prática dos princípios anarquistas, aconteceu nas coletividades agrícolas, em pequenas granjas e em extensas glebas de terra; nas cidades, desde pequenas unidades de produção à grandes complexos industriais; e nos serviços públicos, como transportes, energia, saneamento básico, educação e lazer, etc.
Nos anos que antecederam a Revolução, os anarquistas desenvolveram uma extraordinária tarefa de educação e cultura através da C.N.T. (Confederación Nacional del Trabajo), F.A.I. (Federación Anarquista Iberica) e JJ.LL. (Juventudes Libertárias). Era época de uma vasta rede de publicações: jornais, revistas, livros e folhetos, ateneus libertários, comícios, conferências e debates, onde eram estudadas criações do espírito humano e tudo o que diz respeito a superação das contradições e mazelas da sociedade capitalista.


HISTÓRIA
A vitória das esquerdas nas eleições de 16 de fevereiro de 1936 põe em polvorosa as classes dominantes, apoiadas externamente por Hittler, Mussolini e Salazar. A conspiração fascista culmina na sublevação militar chefiada pelo general Francisco Franco, a partir do Marrocos, em 19 de julho do mesmo ano. Com a movimentação das tropas, os homens e mulheres da C.N.T. e da F.A.I. decidem enfrentar o golpe e se lançam a tomada de quartéis e armamentos. Era a Guerra Civil. Diante das circunstâncias, tomam a grande decisão de em vez de lutar para defender o governo constituido, partir para a revolução social e ao mesmo tempo enfrentar as tropas do nazi-fascismo.
Organizam imediatamente e produção. Acionam todos os postos chave de trabalho abandonados pelos inimigos da Revolução. Em todos os povoados das regiões sublevadas pelos anarquistas se produz o contágio rápido de realizar fatos políticos, tanto no meio camponês como nas zonas industriais. Era a ambicionada Revolução Social, com os trabalhadores de todo o país se fazendo donos do seu destino: os camponeses de suas terras, os operários de suas fábricas, e o povo em geral do bem mais desejado: a liberdade, tantas vezes sonhada e escarnecida pelos poderosos.


HERÓIS E COVARDES
Os camponeses foram os heróis silenciosos de mãos calejadas, regando com seu suor os sulcos da terra nas coletividades agro-pecuárias. Sincronizados com seus irmãos produtores da indústria, realizam solidariamente um generoso tributo à resistência épica de quase três anos de continuas batalhas contra o autoritarismo.
A luta contra os efetivos militares do nazismo internacional. A omissão covarde das chamadas democracias ocidentais - pouco depois envolvidas na guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão, para combater o fascismo em plena expansão depois de sua vitória na Espanha - sob pretexto de neutralidade. A maquiavélica traição do Partido Comunista Espanhol, com os bolchevistas matando anarquistas pelas costas e atacando e destruindo coletividades agrárias com tropas do governo sob o seu comando. A Rússia, de Stalin, se apoderando das reservas do ouro da Espanha para pagamento de armas que nunca foram enviadas. Todas estas lutas fazem daquelas jornadas heróicas uma epopéia que jamais será esquecida e que merece ser estudada e refletida em todos os tempos, principalmente as experiências práticas da autogestão anarquista.





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